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Hérnia de Disco Lombar

Em resumo
  • Na maioria das vezes, hérnia lombar não é caso de cirurgia.
  • Hérnia no exame nem sempre é a causa da dor.
  • Alguns sinais pedem atendimento no mesmo dia.

A hérnia de disco lombar é provavelmente o diagnóstico mais temido e o mais mal explicado da coluna.

A pessoa sente uma dor que desce pela perna, faz uma ressonância, lê a palavra hérnia e conclui que a coluna está destruída e que a cirurgia é inevitável.

Na consulta eu costumo dizer o contrário, e digo com tranquilidade: na maioria das vezes esse não é um problema cirúrgico, e o corpo tem muito mais capacidade de resolver isso do que o laudo sugere.

O que é a hérnia lombar

O disco intervertebral é o amortecedor entre as vértebras. Quando o anel fibroso que o envolve fissura, parte do material interno se desloca e pode encostar numa raiz nervosa.

As raízes lombares se juntam para formar, entre outros, o nervo ciático — por isso a dor desce pela nádega, pela coxa, pela panturrilha, às vezes até o pé.

Por que dói, e por que a imagem engana

Dor do nervo

O nervo é como um fio. Quando ele é comprimido e inflamado, o sinal que chega ao cérebro deixa de ser um aviso útil e passa a ser choque, queimação, formigamento — dor neuropática.

Dor nas costas

É diferente da dor lombar mecânica, que fica concentrada nas costas.

Ao mesmo tempo, exames de imagem de pessoas sem nenhuma dor mostram hérnias, protrusões e discos desidratados com enorme frequência, e cada vez mais quanto maior a idade.

Dr. Normando Guedes
"Achado de exame não é diagnóstico."Dr. Normando Guedes, neurocirurgião

Ou seja: encontrar uma hérnia na ressonância não prova que ela é a causa da sua dor. Achado de exame não é diagnóstico.

O trabalho do médico é justamente decidir se aquela imagem explica aqueles sintomas, e isso se faz com história e exame físico, não com o laudo isolado.

Sinais que merecem atenção

A imensa maioria dos quadros não é emergência. Mas existem situações que exigem avaliação rápida:

  • Perda de força progressiva no pé ou na perna, como não conseguir levantar a ponta do pé.
  • Dificuldade para urinar ou perda do controle da urina e do intestino.
  • Dormência na região que encosta na sela de uma bicicleta, entre as pernas.
  • Dor intensa nas duas pernas ao mesmo tempo, de instalação súbita.

Esse conjunto pode indicar síndrome da cauda equina, uma situação em que a compressão atinge várias raízes de uma vez.

Não é comum, mas é uma das poucas urgências reais da coluna: procure um pronto-socorro no mesmo dia.

Como se investiga

O exame físico define o trajeto da dor, testa força, reflexo e sensibilidade e localiza a raiz envolvida.

A ressonância magnética confirma a anatomia e é pedida quando o resultado pode mudar a decisão — não por rotina.

Radiografia dinâmica entra quando se cogita instabilidade, e a eletroneuromiografia ajuda em casos em que o quadro não fecha.

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Quando o tratamento é clínico

Na dor aguda de hérnia lombar, sem urgência neurológica, a história natural é favorável: a literatura mostra que a maior parte das pessoas melhora ao longo de semanas a poucos meses, e que boa parte das hérnias diminui espontaneamente.

Nesse cenário eu não opero. Eu trato:

Bloqueios podem encurtar a fase pior.

Quando a cirurgia entra

A cirurgia é indicada diante de déficit neurológico progressivo, na síndrome da cauda equina — que é emergência — e quando a dor na perna persiste, incapacitante, apesar de um tratamento clínico realmente bem conduzido.

Aí ela deixa de ser último recurso e passa a ser a melhor escolha. Em casos selecionados a cirurgia endoscópica permite retirar o fragmento por uma via muito pequena.

O que a cirurgia resolve bem é a dor na perna; ela não é um tratamento para dor lombar isolada, e prometer isso seria desonesto.

Consultório do Dr. Normando Guedes
Consultório no Setor Bueno, em Goiânia.

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