← Voltar para doenças

Hérnia de Disco Lombar

A hérnia de disco lombar é provavelmente o diagnóstico mais temido e o mais mal explicado da coluna. A pessoa sente uma dor que desce pela perna, faz uma ressonância, lê a palavra hérnia e conclui que a coluna está destruída e que a cirurgia é inevitável. Na consulta eu costumo dizer o contrário, e digo com tranquilidade: na maioria das vezes esse não é um problema cirúrgico, e o corpo tem muito mais capacidade de resolver isso do que o laudo sugere.

O que é a hérnia lombar

O disco intervertebral é o amortecedor entre as vértebras. Quando o anel fibroso que o envolve fissura, parte do material interno se desloca e pode encostar numa raiz nervosa. As raízes lombares se juntam para formar, entre outros, o nervo ciático — por isso a dor desce pela nádega, pela coxa, pela panturrilha, às vezes até o pé.

Por que dói, e por que a imagem engana

O nervo é como um fio. Quando ele é comprimido e inflamado, o sinal que chega ao cérebro deixa de ser um aviso útil e passa a ser choque, queimação, formigamento — dor neuropática. É diferente da dor lombar mecânica, que fica concentrada nas costas.

Ao mesmo tempo, exames de imagem de pessoas sem nenhuma dor mostram hérnias, protrusões e discos desidratados com enorme frequência, e cada vez mais quanto maior a idade. Ou seja: encontrar uma hérnia na ressonância não prova que ela é a causa da sua dor. Achado de exame não é diagnóstico. O trabalho do médico é justamente decidir se aquela imagem explica aqueles sintomas, e isso se faz com história e exame físico, não com o laudo isolado.

Sinais que merecem atenção

A imensa maioria dos quadros não é emergência. Mas existem situações que exigem avaliação rápida:

Esse conjunto pode indicar síndrome da cauda equina, uma situação em que a compressão atinge várias raízes de uma vez. Não é comum, mas é uma das poucas urgências reais da coluna: procure um pronto-socorro no mesmo dia.

Como se investiga

O exame físico define o trajeto da dor, testa força, reflexo e sensibilidade e localiza a raiz envolvida. A ressonância magnética confirma a anatomia e é pedida quando o resultado pode mudar a decisão — não por rotina. Radiografia dinâmica entra quando se cogita instabilidade, e a eletroneuromiografia ajuda em casos em que o quadro não fecha.

Quando o tratamento é clínico

Na dor aguda de hérnia lombar, sem urgência neurológica, a história natural é favorável: a literatura mostra que a maior parte das pessoas melhora ao longo de semanas a poucos meses, e que boa parte das hérnias diminui espontaneamente. Nesse cenário eu não opero. Eu trato: analgesia bem ajustada, medicação específica para o componente neuropático quando indicado, reabilitação progressiva, cuidado com o sono, e educação em dor para tirar o medo do movimento, que costuma atrapalhar mais que a própria hérnia. Bloqueios podem encurtar a fase pior.

Quando a cirurgia entra

A cirurgia é indicada diante de déficit neurológico progressivo, na síndrome da cauda equina — que é emergência — e quando a dor na perna persiste, incapacitante, apesar de um tratamento clínico realmente bem conduzido. Aí ela deixa de ser último recurso e passa a ser a melhor escolha. Em casos selecionados a cirurgia endoscópica permite retirar o fragmento por uma via muito pequena. O que a cirurgia resolve bem é a dor na perna; ela não é um tratamento para dor lombar isolada, e prometer isso seria desonesto.

Veja também

Agende sua consulta

Sua dor tem causa — e tem tratamento

Avaliação especializada em coluna e dor crônica, com técnicas minimamente invasivas. Atendimento em Goiânia, presencial ou por teleconsulta.