Dor Lombar
- Dor lombar não é "coisa da idade" e não precisa ser aceita.
- Quase sempre é um conjunto de causas, não uma só.
- O tratamento que funciona combina movimento, sono e orientação.
Se você procurou sobre dor lombar, é provável que já tenha ouvido alguma versão de três frases: “é desgaste da idade”, “não tem o que fazer” e “aprenda a conviver”. Eu discordo das três.
Degeneração da coluna é como ruga e cabelo branco: todo mundo tem ou vai ter com o tempo. Sentir dor, não. Dor nunca é normal, nem aos 95 anos.
E dor lombar que dura meses quase nunca é um problema só, é um conjunto de coisas acontecendo ao mesmo tempo.
De onde vem a dor lombar
A região lombar tem várias estruturas capazes de doer: discos, articulações facetárias, articulação sacroilíaca, músculos, ligamentos e as raízes nervosas que passam por ali.
Na maior parte dos casos, a dor não vem de uma única estrutura, e sim de uma combinação. Por isso a pergunta “qual é a causa?” costuma ter uma resposta menos redonda do que o paciente gostaria de ouvir.
Quando existe dor irradiada para a perna, com choque, formigamento ou queimação, o cenário muda e passamos a pensar em compressão de raiz nervosa, como acontece na hérnia de disco lombar ou na estenose de canal lombar.
Quando a dor fica concentrada nas costas e não desce pela perna, estamos falando de dor axial, e o raciocínio é outro.
Por que o exame costuma não explicar
Dor não aparece em exame. Isso não é força de expressão: não existe ressonância que mostre dor. O exame mostra estrutura.
Pessoas sem dor nenhuma têm protrusões, desidratação de disco e artrose facetária nas imagens, e pessoas com dor intensa às vezes têm exames quase limpos.
"Eu trato a pessoa, não trato o laudo."Dr. Normando Guedes, neurocirurgião
Por isso eu leio o exame depois de examinar você, nunca antes. Eu trato a pessoa, não trato o laudo.
O que faz a dor persistir
Dor é um sistema de alarme. Ele existe para avisar de perigo.
Na dor crônica, esse alarme fica sensível demais e passa a tocar por coisas que não deveriam disparar nada: levantar da cadeira, virar na cama, carregar a sacola do mercado.
Um alarme que toca por tudo deixa de informar. Alguns mecanismos alimentam esse ciclo:
Sensibilização
Sensibilização: o sistema nervoso amplifica sinais que antes passavam despercebidos.
Hipervigilância
Hipervigilância: a atenção passa a monitorar a coluna o tempo todo, e o que é monitorado dói mais.
Cinesiofobia
Cinesiofobia: medo de se mover porque mover doeu antes. Menos movimento significa menos condicionamento, e menos condicionamento significa mais dor.
Sono ruim
Sono ruim: dormir mal rebaixa o limiar de dor no dia seguinte. A dor atrapalha o sono, o sono ruim piora a dor, e o ciclo vicioso se fecha.
Como eu investigo
A consulta é o exame mais importante que existe. Eu quero saber onde dói, o que piora, o que melhora, como está o seu sono, o que você parou de fazer e o que você tem medo de fazer.
Depois vem o exame físico, com testes que ajudam a separar dor de origem facetária, sacroilíaca, discal ou neuropática.
Imagem entra para responder uma pergunta específica, não para “ver como está”. Exame demais produz achados irrelevantes que assustam e atrapalham o tratamento.
Quer entender de onde vem a sua dor lombar?
Agendar pelo WhatsAppO que funciona no tratamento
Não existe solução única, e quando alguém oferece solução fácil para um problema crônico e multifatorial, vale desconfiar. O que muda o jogo na maior parte dos casos é o conjunto:
- educação em dor para você entender o que está acontecendo no seu corpo,
- exercício orientado e progressivo,
- sono tratado a sério
- e medicação com objetivo e prazo definidos, não para sempre.
Trabalhar junto com fisioterapeuta, educador físico e, quando necessário, psicologia é regra, não exceção.
Quando um procedimento entra
Procedimento é um degrau, não o destino. Bloqueios e radiofrequência podem reduzir a dor a um nível que permita voltar a se mover e treinar, e é esse movimento que sustenta o resultado.
Cirurgia tem indicação clara em algumas situações e nenhuma em outras. O neurocirurgião só consegue ser conservador na indicação quando tem outras armas além do bisturi.
Tirar a dor é relativamente fácil; difícil é fazer o efeito durar sem a sua parte.
Veja também
- Dor Axial doenças
- Dor Facetária doenças
- Educação em Dor tratamentos
- Radiofrequência tratamentos
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