Dor Cervical
Dor no pescoço é uma das queixas mais comuns do consultório e também uma das que mais chega cercada de explicações que não se sustentam: “é a postura”, “é o travesseiro”, “é o colchão”. Vou ser direto. Postura, travesseiro e colchão pesam bem menos do que costumam receber de crédito. Se fossem a causa central, corrigir a postura resolveria, e você provavelmente já tentou isso sem sucesso.
O que dói no pescoço
A coluna cervical tem sete vértebras, discos entre elas, articulações facetárias atrás, uma musculatura densa e as raízes nervosas que descem para o braço. Qualquer uma dessas estruturas pode gerar dor. Na prática, a maior parte das dores cervicais é o que chamamos de dor cervical inespecífica: origem muscular e articular, sem uma lesão única que explique tudo. Isso não quer dizer que a dor seja imaginação. Quer dizer que a origem está distribuída.
Quando a dor desce para o braço com choque, formigamento ou perda de força, investigamos compressão de raiz, como na hérnia de disco cervical. Quando aparecem desequilíbrio, mudança na marcha ou dificuldade com movimentos finos das mãos, precisamos afastar mielopatia cervical, que é uma situação diferente e mais urgente. E há pacientes em que a dor cervical alta se conecta com dor de cabeça: pescoço e cabeça conversam mais do que parece.
Por que o exame costuma não explicar
Dor não aparece em exame. A ressonância cervical de um adulto sem dor nenhuma frequentemente mostra retificação, desidratação de disco e protrusões. São achados de tempo de vida, não sentença. Eu examino primeiro, formo uma hipótese e só então uso a imagem para confirmar ou afastar algo específico. Laudo não trata ninguém; eu trato a pessoa.
O que faz a dor cervical persistir
Dor é um alarme. Na dor crônica esse alarme fica sensível demais e passa a tocar por qualquer coisa: ficar sentado, olhar para o lado, um dia de trabalho comum. Os mecanismos que sustentam isso são conhecidos:
- Sensibilização: o sistema nervoso amplifica estímulos que antes não incomodavam.
- Hipervigilância: você passa a monitorar o pescoço o tempo inteiro, e o que é monitorado dói mais.
- Cinesiofobia: medo de mover o pescoço leva a rigidez, e rigidez leva a mais dor.
- Sono e estresse sustentado: noite ruim rebaixa o limiar de dor no dia seguinte, e a tensão contínua mantém a musculatura em guarda.
Como eu investigo
A história guia tudo: há quanto tempo dói, o que piora, se irradia, se há formigamento, como anda o sono, o que você deixou de fazer. No exame físico testo mobilidade, força, reflexos, manobras para raiz nervosa e palpo a musculatura em busca de dor miofascial. Imagem e eletroneuromiografia entram quando há uma pergunta clara a responder, especialmente diante de sinais neurológicos. Pedir tudo “para ver” costuma atrapalhar mais do que ajudar.
O que funciona no tratamento
O tratamento que se sustenta é um conjunto: educação em dor, fortalecimento progressivo da cervical e da cintura escapular, retomada de movimento sem medo, cuidado real com o sono e medicação com objetivo e prazo. Exercício e sono são as duas peças mais subestimadas dessa conta, e são justamente as que mais mudam o curso. O trabalho junto com fisioterapeuta e educador físico faz parte do plano desde o início.
Quando entra procedimento
Bloqueios e radiofrequência têm lugar quando a dor tem padrão articular bem definido e limita a reabilitação. Cirurgia tem indicação clara em radiculopatia com déficit ou dor refratária bem caracterizada, e na mielopatia cervical, em que esperar demais custa caro. Fora disso, procedimento é degrau, não destino: ele abre a janela, mas quem mantém a janela aberta é o que você faz depois.
Veja também
- Hérnia de Disco Cervical doenças
- Mielopatia Cervical doenças
- Dor Axial doenças
- Educação em Dor tratamentos
Sua dor tem causa — e tem tratamento
Avaliação especializada em coluna e dor crônica, com técnicas minimamente invasivas. Atendimento em Goiânia, presencial ou por teleconsulta.