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Dor Cervical

Em resumo
  • Postura e travesseiro pesam menos do que parece na dor no pescoço.
  • Alguns sinais no braço ou na marcha pedem investigação.
  • Exercício e sono são as peças que mais mudam o curso.

Dor no pescoço é uma das queixas mais comuns do consultório e também uma das que mais chega cercada de explicações que não se sustentam: “é a postura”, “é o travesseiro”, “é o colchão”.

Vou ser direto. Postura, travesseiro e colchão pesam bem menos do que costumam receber de crédito. Se fossem a causa central, corrigir a postura resolveria, e você provavelmente já tentou isso sem sucesso.

O que dói no pescoço

A coluna cervical tem sete vértebras, discos entre elas, articulações facetárias atrás, uma musculatura densa e as raízes nervosas que descem para o braço. Qualquer uma dessas estruturas pode gerar dor.

Na prática, a maior parte das dores cervicais é o que chamamos de dor cervical inespecífica: origem muscular e articular, sem uma lesão única que explique tudo.

Isso não quer dizer que a dor seja imaginação. Quer dizer que a origem está distribuída.

Dor que desce para o braço

Quando a dor desce para o braço com choque, formigamento ou perda de força, investigamos compressão de raiz, como na hérnia de disco cervical.

Desequilíbrio e mãos

Quando aparecem desequilíbrio, mudança na marcha ou dificuldade com movimentos finos das mãos, precisamos afastar mielopatia cervical, que é uma situação diferente e mais urgente.

E há pacientes em que a dor cervical alta se conecta com dor de cabeça: pescoço e cabeça conversam mais do que parece.

Por que o exame costuma não explicar

Dor não aparece em exame. A ressonância cervical de um adulto sem dor nenhuma frequentemente mostra retificação, desidratação de disco e protrusões. São achados de tempo de vida, não sentença.

Dr. Normando Guedes
"Laudo não trata ninguém; eu trato a pessoa."Dr. Normando Guedes, neurocirurgião

Eu examino primeiro, formo uma hipótese e só então uso a imagem para confirmar ou afastar algo específico. Laudo não trata ninguém; eu trato a pessoa.

O que faz a dor cervical persistir

Dor é um alarme. Na dor crônica esse alarme fica sensível demais e passa a tocar por qualquer coisa: ficar sentado, olhar para o lado, um dia de trabalho comum. Os mecanismos que sustentam isso são conhecidos:

Sensibilização

Sensibilização: o sistema nervoso amplifica estímulos que antes não incomodavam.

Hipervigilância

Hipervigilância: você passa a monitorar o pescoço o tempo inteiro, e o que é monitorado dói mais.

Cinesiofobia

Cinesiofobia: medo de mover o pescoço leva a rigidez, e rigidez leva a mais dor.

Sono e estresse

Sono e estresse sustentado: noite ruim rebaixa o limiar de dor no dia seguinte, e a tensão contínua mantém a musculatura em guarda.

Como eu investigo

A história guia tudo: há quanto tempo dói, o que piora, se irradia, se há formigamento, como anda o sono, o que você deixou de fazer.

No exame físico testo mobilidade, força, reflexos, manobras para raiz nervosa e palpo a musculatura em busca de dor miofascial.

Imagem e eletroneuromiografia entram quando há uma pergunta clara a responder, especialmente diante de sinais neurológicos. Pedir tudo “para ver” costuma atrapalhar mais do que ajudar.

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O que funciona no tratamento

O tratamento que se sustenta é um conjunto:

Exercício e sono são as duas peças mais subestimadas dessa conta, e são justamente as que mais mudam o curso. O trabalho junto com fisioterapeuta e educador físico faz parte do plano desde o início.

Quando entra procedimento

Bloqueios e radiofrequência têm lugar quando a dor tem padrão articular bem definido e limita a reabilitação.

Cirurgia tem indicação clara em radiculopatia com déficit ou dor refratária bem caracterizada, e na mielopatia cervical, em que esperar demais custa caro.

Fora disso, procedimento é degrau, não destino: ele abre a janela, mas quem mantém a janela aberta é o que você faz depois.

Consultório do Dr. Normando Guedes
Consultório no Setor Bueno, em Goiânia.

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