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Fraturas da Coluna Vertebral

Fratura de coluna cobre situações muito diferentes entre si. De um lado, o acidente de trânsito ou a queda de altura, em que o mecanismo é evidente e o atendimento é imediato. Do outro, o cenário que passa despercebido com mais frequência: a pessoa mais velha, com osso frágil, que sentiu uma dor forte nas costas depois de carregar uma sacola, de sentar bruscamente ou até sem nenhum evento identificável. As duas são fraturas, e as duas merecem ser levadas a sério.

Os dois grandes grupos

Por que dói

A dor da fratura recente é mecânica e bastante característica: forte, localizada, muito pior ao mudar de posição, ao levantar da cama, ao sentar e ao ficar em pé, e claramente melhor deitado. É bem diferente da dor lombar crônica habitual, que oscila e não costuma travar a pessoa desse jeito. Quando a fratura invade o canal e comprime raízes ou medula, entram dor irradiada, formigamento e fraqueza.

Sinais que merecem atenção

Diante de trauma com dor importante na coluna, ou de qualquer sintoma neurológico, o caminho é o pronto-socorro, evitando mobilizar a pessoa por conta própria. Fratura com instabilidade pode piorar com o transporte inadequado.

Como se investiga

A radiografia é o primeiro passo e muitas vezes já mostra a fratura. A tomografia detalha o osso e define o padrão da lesão, informação essencial para decidir se o segmento é estável. A ressonância mostra ligamentos, medula, raízes e — um detalhe muito útil — diferencia fratura recente de fratura antiga já consolidada, o que muda completamente a conduta. Na fratura por fragilidade, a investigação não termina na coluna: é preciso avaliar e tratar a osteoporose junto com endocrinologista ou clínico, senão a próxima fratura vem.

Quando o tratamento é clínico

Boa parte das fraturas por compressão estáveis, sem comprometimento neurológico, é tratada sem cirurgia: controle adequado da dor, mobilização precoce e orientada, órtese em casos selecionados, reabilitação progressiva e tratamento da doença óssea de base. Repouso absoluto prolongado é um erro comum — ele piora a perda de massa óssea e muscular exatamente em quem menos pode se dar a esse luxo.

Quando a cirurgia entra

A cirurgia é indicada quando existe compressão de estruturas nervosas com déficit, quando a fratura é instável, quando há deformidade importante ou progressiva, e em situações de fratura patológica que exigem estabilização. Nas fraturas por fragilidade com dor intensa e persistente apesar do tratamento clínico bem conduzido, procedimentos percutâneos de estabilização do corpo vertebral podem ser considerados em casos selecionados. Aqui vale a mesma lógica de sempre: a indicação é individual, discutida com o paciente e a família, e nenhuma técnica dispensa a reabilitação que vem depois. Procedimento é um degrau, não o destino.

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