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Cirurgia Minimamente Invasiva da Coluna

Minimamente invasiva é um termo que virou propaganda, então vale começar pelo significado real. Não quer dizer cirurgia pequena, nem cirurgia sem risco, nem cirurgia mais fácil. Quer dizer chegar ao alvo causando o menor dano possível ao que está no caminho: músculo, ligamento, articulação. O tamanho do corte na pele é a parte menos importante dessa conta.

O que é

É um conjunto de técnicas que usam afastadores tubulares, microscópio, endoscópio, magnificação óptica e imagem intraoperatória para preservar a anatomia saudável enquanto se resolve o ponto doente. Pode ser uma descompressão de canal, a retirada de um fragmento de disco, uma estabilização com parafusos por via percutânea. O princípio é o mesmo em todas: respeitar o que está funcionando.

Como funciona

A musculatura paravertebral é o que segura a coluna em pé. Cirurgias clássicas frequentemente precisavam descolar essa musculatura do osso em larga extensão para enxergar. As técnicas minimamente invasivas atravessam esse plano em vez de descolá-lo, e devolvem a visão pela óptica. Menos tecido lesado no acesso significa menos dor de ferida e menos fraqueza secundária, o que ajuda a reabilitação a começar mais cedo.

Quando eu indico

Sobre esse último item eu tenho uma posição que contraria o senso comum. Repete-se muito que cirurgia é sempre a última opção. Nem sempre. Na mielopatia cervical, por exemplo, o problema não é dor: é medula comprimida perdendo função. Esperar meses de fisioterapia enquanto a marcha e a coordenação da mão pioram não é conservadorismo, é atraso. Nesses casos a cirurgia deveria ser considerada cedo, e às vezes primeiro.

Para quem não é indicada

Não indico quando não existe alvo anatômico que explique o sintoma. Degeneração de disco é como cabelo branco: quase todo mundo tem com o tempo, e por si só não é motivo para operar. Também não indico enquanto houver caminho conservador não percorrido em um quadro estável; quando o quadro predominante é dor crônica sensibilizada, sem compressão; quando o risco clínico supera o benefício esperado; e quando o paciente ainda não entendeu o que a cirurgia pode e o que ela não pode fazer. Operar alguém que espera algo que a cirurgia não entrega é começar errado.

Consigo sustentar essa postura conservadora porque tenho outras ferramentas. Um cirurgião que só opera tem uma resposta só. Ter bloqueios, radiofrequência, neuromodulação e um plano de reabilitação à disposição é o que permite não operar quando não é hora, e permite operar sem hesitar quando é.

Como é na prática e o que esperar depois

É cirurgia hospitalar, com equipe de anestesia, planejamento por imagem e checagem de nível no intraoperatório. Depois, o pós-operatório é um processo, não um evento. Costuma haver menos dor de ferida do que nas técnicas abertas amplas, mas isso não é promessa de retorno rápido nem de ausência de dor. O nervo tem o ritmo dele. Fumo, sono ruim, sedentarismo e medo de movimento atrapalham a recuperação de forma consistente. O paciente não é passageiro nesse processo. Metade do resultado se decide no que ele faz nos meses seguintes.

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