Neuralgia Occipital
Esta é, na minha experiência, uma das dores mais mal diagnosticadas que existem. A pessoa vem com anos de tratamento para enxaqueca que nunca funcionou direito e descreve algo que, se a gente ouvir com atenção, não é enxaqueca coisa nenhuma: uma dor que nasce na nuca, de um lado, e sobe em choque pelo couro cabeludo até chegar atrás do olho. Escrevo sobre isso com frequência justamente porque o rótulo errado custa anos ao paciente.
O que é a neuralgia occipital
Os nervos occipitais são os fios que levam a sensibilidade da parte de trás da cabeça. Eles saem da região cervical alta, atravessam musculatura e fáscia e se distribuem pelo couro cabeludo. Quando um desses fios fica irritado ou comprimido no seu trajeto, ele passa a disparar. O resultado é dor em choque, com queimação entre as crises e uma sensibilidade estranha ao toque na região, que faz a pessoa não conseguir deitar daquele lado no travesseiro nem prender o cabelo.
Como o paciente descreve
- Dor que começa na base do crânio, quase sempre de um lado só.
- Choque ou fisgada que sobe pelo couro cabeludo em direção ao topo e ao olho.
- Ardência ou dormência no couro cabeludo entre as crises.
- Piora ao virar o pescoço, ao pentear o cabelo ou ao encostar a nuca.
- Ponto doloroso fixo na nuca que, quando pressionado, reproduz a dor inteira.
Por que confundem com enxaqueca
Porque a dor sobe e vai parar atrás do olho, exatamente onde a enxaqueca costuma se manifestar, e porque pode vir com náusea e incômodo com a luz. Mas o ponto de partida é diferente. Na neuralgia occipital, a dor nasce atrás e sobe; existe gatilho ao toque e ao movimento do pescoço; e há um ponto reproduzível na nuca. Também é comum a confusão com dor cervical comum e com contratura muscular, que podem coexistir. Aliás, coexistir é a regra: o paciente pode ter enxaqueca e neuralgia occipital ao mesmo tempo, e tratar só uma explica por que o resultado nunca vem completo.
Como se investiga
De novo, diagnóstico clínico. História detalhada, exame da região cervical alta, palpação dos pontos de saída dos nervos e reprodução da dor. Imagem serve para avaliar a coluna cervical e afastar outras causas quando há sinais que justifiquem, não para carimbar o diagnóstico. Um exame de imagem cheio de desgaste não prova que a dor venha dali, e um exame normal não invalida o que o paciente está sentindo.
Onde o bloqueio ajuda a pensar
Aqui os bloqueios guiados por ultrassom têm um papel que vai além da analgesia. Um bloqueio bem indicado e bem posicionado é um teste: se a dor característica cede de forma consistente quando aquele nervo específico é anestesiado, isso é informação diagnóstica de peso e orienta o passo seguinte. Guiar por ultrassom importa porque permite ver o alvo e o trajeto, em vez de trabalhar por referência anatômica cega.
O que funciona no tratamento
O tratamento combina medicação para dor neuropática, trabalho sobre a coluna cervical e a musculatura da região com fisioterapia, correção de fatores que mantêm o sistema irritado, como sono ruim e sobrecarga, e bloqueios quando indicados. Quando a resposta ao bloqueio é boa mas curta, e a dor volta com o mesmo padrão, a radiofrequência e, em casos selecionados e resistentes, a neuromodulação entram na conversa. Procedimento é um degrau: ele abre janela para reabilitar. Se nada mudar na janela aberta, a dor tende a voltar.
Veja também
- Enxaqueca doenças
- Dor Cervical doenças
- Bloqueios Guiados por Ultrassom tratamentos
- Radiofrequência tratamentos
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