Eletroestimulação
Eletroestimulação costuma gerar duas reações opostas no consultório. Uns acham que é aparelhinho de farmácia sem valor nenhum; outros esperam que ela resolva anos de dor. As duas leituras estão erradas. É um recurso de baixo risco, com efeito real porém modesto, que rende bem quando entra no lugar certo de um plano maior.
O que é
É a aplicação de corrente elétrica de baixa intensidade através de eletrodos colocados sobre a pele, com parâmetros ajustáveis de frequência e intensidade. A forma mais conhecida é a estimulação elétrica transcutânea, mas existem outras modalidades, com objetivos diferentes: algumas voltadas ao alívio da dor, outras ao recrutamento muscular em quem perdeu força.
Como funciona
Uso de novo a imagem do fio e do alarme. O sinal de dor sobe pelo nervo até a medula, e ali existe um ponto de passagem onde outros estímulos competem com ele. A corrente elétrica ocupa parte desse tráfego, e o cérebro recebe menos sinal doloroso enquanto isso acontece. Há também efeito sobre a musculatura e sobre a sensibilização local. É intervenção sobre a condução do sinal, não sobre a causa estrutural.
Diferença para a neuromodulação implantável
Essa distinção importa. Eletroestimulação de superfície é externa, reversível a qualquer momento e de efeito geralmente limitado ao período de uso. Já a neuromodulação com eletrodos implantados atua diretamente sobre estruturas do sistema nervoso, com programação individualizada e potencial de efeito muito maior, e é reservada a casos selecionados. Uma não é versão fraca da outra: são degraus diferentes, para situações diferentes.
Para quem costuma ajudar
- Quem precisa de uma janela de alívio para conseguir fazer exercício e fisioterapia.
- Quadros de dor lombar e dor cervical persistentes, como complemento.
- Alguns quadros de dor neuropática, com resposta bastante variável entre pessoas.
- Pacientes que precisam reduzir dose de medicação e buscam apoio não farmacológico.
- Pessoas com perda de força que se beneficiam de estimulação para recrutamento muscular, dentro de um programa de reabilitação.
Para quem não é indicada
Não indico sem avaliação prévia em portadores de marca-passo ou outros dispositivos eletrônicos implantados. Não aplico sobre pele com ferida ou infecção, sobre área de trombose, sobre a região anterior do pescoço, sobre o abdome de gestantes, nem sobre áreas com perda importante de sensibilidade, porque nesse caso o paciente não consegue avaliar a intensidade com segurança. E não indico como tratamento único em dor crônica, nem para quem está buscando um aparelho que substitua a necessidade de se movimentar.
O que esperar
Espere um recurso auxiliar. A resposta varia muito entre pessoas e costuma acompanhar o período de uso, com efeito que pode diminuir ao longo do tempo se os parâmetros nunca forem ajustados. Não há promessa de eliminar a dor, e eu desconfio de quem apresenta o aparelho como tratamento completo.
Usada com critério, a eletroestimulação faz uma coisa muito útil: baixa o volume do alarme o suficiente para a pessoa voltar a se mover. E movimento, sono e educação em dor são o que efetivamente muda o curso de um quadro crônico. O aparelho abre a porta. Quem atravessa é o paciente.
Veja também
- Neuromodulação tratamentos
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