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Dor Sacroilíaca

Existe um grupo de pacientes que chega ao consultório depois de anos tratando “hérnia de disco” ou “ciático” sem melhora consistente, e o problema estava um pouco mais abaixo e mais lateral: na articulação sacroilíaca. É uma fonte de dor comum e sub-diagnosticada. Quando alguém aponta com o dedo para um ponto logo abaixo da cintura, de um lado só, esse sinal já começa a chamar minha atenção.

Onde fica e o que faz a sacroilíaca

A sacroilíaca é a articulação entre o sacro, que é a base da coluna, e o osso ilíaco da bacia. Ela se move pouco, mas transfere para as pernas praticamente toda a carga que desce do tronco. É uma articulação rica em receptores de dor e com inerção complexa, o que explica por que a dor dali costuma ser mal localizada pelo paciente e mal interpretada por quem avalia.

Como a dor costuma se apresentar

Por que confunde tanto

O padrão se sobrepõe ao de outras causas de dor lombar e imita dor de raiz nervosa. A diferença está nos detalhes: na compressão de raiz, como na hérnia de disco lombar, a dor costuma ter trajeto elétrico definido, com formigamento ou queimação e, às vezes, perda de força. Na sacroilíaca, a dor é mais profunda, mecânica e ligada à transferência de carga.

Por que o exame não decide

Ressonância e tomografia podem mostrar sinais inflamatórios ou degenerativos na sacroilíaca, mas também mostram alterações em quem não sente nada, e podem vir normais em quem sente muito. Dor não aparece em exame. O diagnóstico se constrói na história, no exame físico com um conjunto de manobras provocativas e, quando necessário, na resposta a um bloqueio diagnóstico guiado por imagem. Vale ainda lembrar que dor sacroilíaca dos dois lados em pessoa jovem, com rigidez matinal prolongada, exige investigar doença inflamatória junto com a reumatologia.

O que funciona no tratamento

O centro do tratamento é reeducar a forma como a carga passa por ali: fortalecimento de glúteos, quadril e tronco, controle motor, retomada progressiva de atividade e correção de assimetrias funcionais. Junto entram educação em dor, cuidado com o sono e medicação usada com objetivo e prazo. Quando a dor já dura muito tempo, existe também um componente de sensibilização: o alarme ficou sensível demais e passou a tocar em movimentos triviais. Ignorar essa parte é o motivo mais comum de tratamento que não dura.

Quando entra procedimento

Se a reabilitação trava porque a dor não permite treinar, bloqueios guiados por imagem ajudam a confirmar o diagnóstico e a abrir uma janela de alívio. Em casos selecionados, com resposta boa e repetida ao bloqueio, a radiofrequência dos ramos que inervam a articulação pode prolongar esse alívio. Procedimento é um degrau, não o destino. Ele compra tempo e movimento; o que sustenta o resultado é o trabalho feito nessa janela.

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