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Dor Sacroilíaca

Em resumo
  • A sacroilíaca é uma causa comum de dor baixa nas costas, muitas vezes confundida.
  • O diagnóstico vem da consulta e do exame, não só da imagem.
  • Reabilitação é o centro; o procedimento abre uma janela.

Existe um grupo de pacientes que chega ao consultório depois de anos tratando “hérnia de disco” ou “ciático” sem melhora consistente, e o problema estava um pouco mais abaixo e mais lateral: na articulação sacroilíaca.

É uma fonte de dor comum e sub-diagnosticada. Quando alguém aponta com o dedo para um ponto logo abaixo da cintura, de um lado só, esse sinal já começa a chamar minha atenção.

Onde fica e o que faz a sacroilíaca

A sacroilíaca é a articulação entre o sacro, que é a base da coluna, e o osso ilíaco da bacia. Ela se move pouco, mas transfere para as pernas praticamente toda a carga que desce do tronco.

É uma articulação rica em receptores de dor e com inervação complexa, o que explica por que a dor dali costuma ser mal localizada pelo paciente e mal interpretada por quem avalia.

Como a dor costuma se apresentar

De um lado só

Dor de um lado só, na região baixa das costas e na nádega, muitas vezes apontada com um dedo.

Piora com carga

Piora ao levantar da cadeira, ao subir escada, ao virar na cama e ao ficar em pé apoiando mais em uma perna.

Até a coxa

Pode irradiar para a virilha ou para a face posterior da coxa, mas normalmente não desce até o pé com choque.

Quando aparece

Aparece com frequência depois de gestação, trauma, queda sentado ou após artrodese lombar.

Por que confunde tanto

O padrão se sobrepõe ao de outras causas de dor lombar e imita dor de raiz nervosa. A diferença está nos detalhes:

Raiz nervosa

na compressão de raiz, como na hérnia de disco lombar, a dor costuma ter trajeto elétrico definido, com formigamento ou queimação e, às vezes, perda de força.

Sacroilíaca

Na sacroilíaca, a dor é mais profunda, mecânica e ligada à transferência de carga.

Por que o exame não decide

Ressonância e tomografia podem mostrar sinais inflamatórios ou degenerativos na sacroilíaca, mas também mostram alterações em quem não sente nada, e podem vir normais em quem sente muito. Dor não aparece em exame.

O diagnóstico se constrói na história, no exame físico com um conjunto de manobras provocativas e, quando necessário, na resposta a um bloqueio diagnóstico guiado por imagem.

Vale ainda lembrar que dor sacroilíaca dos dois lados em pessoa jovem, com rigidez matinal prolongada, exige investigar doença inflamatória junto com a reumatologia.

Sente dor de um lado só, logo abaixo da cintura?

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O que funciona no tratamento

O centro do tratamento é reeducar a forma como a carga passa por ali:

Junto entram educação em dor, cuidado com o sono e medicação usada com objetivo e prazo.

Quando a dor já dura muito tempo, existe também um componente de sensibilização: o alarme ficou sensível demais e passou a tocar em movimentos triviais. Ignorar essa parte é o motivo mais comum de tratamento que não dura.

Quando entra procedimento

Se a reabilitação trava porque a dor não permite treinar, bloqueios guiados por imagem ajudam a confirmar o diagnóstico e a abrir uma janela de alívio.

Em casos selecionados, com resposta boa e repetida ao bloqueio, a radiofrequência dos ramos que inervam a articulação pode prolongar esse alívio.

Dr. Normando Guedes
"Procedimento é um degrau, não o destino."Dr. Normando Guedes, neurocirurgião

Procedimento é um degrau, não o destino. Ele compra tempo e movimento; o que sustenta o resultado é o trabalho feito nessa janela.

Consultório do Dr. Normando Guedes
Consultório no Setor Bueno, em Goiânia.

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