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Espondilolistese

Em resumo
  • Espondilolistese é uma vértebra que escorregou em relação à vizinha.
  • Muita gente tem e não sente nada.
  • Na maior parte dos casos, o tratamento começa sem cirurgia.

Espondilolistese é uma daquelas palavras que assustam mais pelo tamanho do que pelo significado. Ela descreve uma situação simples de entender: uma vértebra escorregou para frente ou para trás em relação à vértebra vizinha.

O que essa palavra não diz é se aquilo dói, se vai piorar ou se precisa de cirurgia. Essas três respostas dependem da pessoa, não do laudo.

O que é e por que acontece

Cada nível da coluna é mantido no lugar por um conjunto de estruturas: o disco à frente, duas articulações facetárias atrás, ligamentos e músculos ao redor. Quando alguma dessas peças falha, o alinhamento pode se perder.

As duas formas mais comuns são

Degenerativa

a degenerativa, ligada ao desgaste das facetas e do disco, mais frequente em mulheres após a meia-idade e típica do nível L4-L5;

Ístmica

e a ístmica, em que existe uma falha numa pequena região óssea do arco vertebral, muitas vezes surgida ainda na juventude, mais comum em L5-S1.

Outras formas

Há ainda formas ligadas a trauma, a cirurgias prévias e a doenças ósseas.

Por que dói — e por que muita gente não sente nada

A dor pode vir de duas fontes diferentes.

Nas costas

Uma é o próprio segmento que se move mal, gerando dor axial nas costas, que piora ficando muito tempo em pé e melhora deitando.

Na perna

A outra é a compressão das raízes nervosas no espaço que ficou estreito com o deslizamento, produzindo dor, formigamento e fraqueza na perna — e com frequência a espondilolistese caminha junto de uma estenose de canal lombar.

Mas é muito comum descobrir uma espondilolistese num raio-x pedido por outro motivo, em alguém que nunca teve queixa nenhuma.

Dr. Normando Guedes
"Achado de exame não é diagnóstico."Dr. Normando Guedes, neurocirurgião

Isso reforça a regra que eu repito em toda consulta: achado de exame não é diagnóstico.

Uma listese assintomática não é uma bomba-relógio, e tratar imagem é a receita mais rápida para operar quem não precisava.

Sinais que merecem atenção

  • Dor na perna que piora progressivamente ou passa a limitar a caminhada.
  • Perda de força no pé ou na perna.
  • Alteração no controle da urina ou do intestino, ou dormência entre as pernas — procurar atendimento no mesmo dia.
  • Em adolescentes atletas, dor lombar persistente que piora com extensão do tronco.
  • Piora abrupta após trauma.

Como se investiga

Radiografia em pé é essencial, porque o deslizamento pode simplesmente desaparecer quando a pessoa deita para a ressonância.

Radiografias em flexão e extensão mostram se o segmento se move de forma anormal, ou seja, se há instabilidade.

A ressonância avalia raízes, disco e o grau de estreitamento. A tomografia detalha o osso, sobretudo na forma ístmica. O grau do deslizamento é medido, mas ele isoladamente não define conduta.

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Quando o tratamento é clínico

Na maior parte dos casos sintomáticos começamos sem cirurgia, e frequentemente terminamos sem cirurgia.

Quem participa do próprio tratamento vai mais longe: tirar a dor é relativamente fácil, difícil é fazer o efeito durar sem que a pessoa faça a parte dela.

Quando a cirurgia entra

A cirurgia entra quando há compressão nervosa com repercussão clínica importante, déficit neurológico, deslizamento que progride de forma documentada, ou dor incapacitante que resistiu a um tratamento conservador realmente bem conduzido.

O objetivo costuma ser descomprimir as raízes e, quando o segmento é instável, estabilizá-lo.

Nem toda espondilolistese que opera precisa de fixação, e nem toda dor lombar melhora com fixação — por isso a seleção do caso importa mais que a técnica.

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