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Ondas de Choque

Ondas de choque é um recurso que eu uso como auxiliar, e faço questão de apresentá-lo assim desde a primeira conversa. É uma terapia que pode ajudar em situações específicas, dentro de um plano maior. Quando alguém oferece ondas de choque como resposta para um problema crônico, complexo e multifatorial, vale desconfiar. Solução fácil para problema difícil costuma ser sinal de alerta.

O que é

São ondas acústicas de alta energia geradas por um aparelho e aplicadas sobre a pele, direcionadas a um tecido específico. Apesar do nome, não é choque elétrico. É energia mecânica, na forma de pulsos de pressão que atravessam os tecidos e se concentram na região tratada. A aplicação é externa, sem agulha e sem corte.

Como funciona

O efeito proposto é mecânico e biológico ao mesmo tempo. O estímulo repetido sobre um tecido cronicamente irritado parece interferir na sensibilização local, aumentar o fluxo sanguíneo na área e estimular processos de reparo. Também há um efeito sobre pontos-gatilho musculares, aquelas bandas tensas e dolorosas que travam o movimento e alimentam o ciclo vicioso de dor, medo de mover e mais dor.

Sobre a força da evidência, prefiro ser transparente: em algumas indicações a literatura é razoavelmente consistente, e em outras ela ainda é limitada e heterogênea. Eu não vou apresentar como certeza aquilo que ainda é promessa. Uso onde faz sentido, com expectativa proporcional.

Onde costuma ajudar

Para quem não é indicada

Não aplico sobre áreas com infecção ativa, sobre tumores, sobre feridas abertas, em regiões com trombose conhecida, em pessoas com distúrbio de coagulação não compensado ou em uso de anticoagulação sem avaliação prévia, e diretamente sobre dispositivos implantados. Gestantes e crianças em fase de crescimento exigem cuidado adicional na indicação. Também não indico quando o quadro é de compressão nervosa, porque nesse caso a energia aplicada de fora não vai resolver o que está comprimindo o fio por dentro. E não indico como tratamento isolado em dor crônica, porque isoladamente ela não sustenta resultado.

Como é na prática e o que esperar depois

As sessões são ambulatoriais e curtas, feitas em série, com intervalo entre elas. A aplicação costuma incomodar durante o procedimento, e a intensidade é ajustada conforme a tolerância. É comum haver dor ou sensibilidade local por um a dois dias depois, e isso não indica que algo deu errado.

A resposta é variável e costuma aparecer ao longo da série, não em uma sessão. Não existe garantia de alívio e eu não trabalho com prazos prometidos. O que eu observo com consistência é que as ondas de choque rendem quando são usadas para destravar movimento, e rendem pouco quando são usadas para substituir movimento. Continua valendo a regra: procedimento é um degrau, não o destino. O que segura o resultado é o trabalho de cuidado multidisciplinar em volta.

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