Dor Crônica
Dor é um sistema de alarme. Ela existe para avisar que alguma coisa ameaça o corpo, e nesse papel é útil — quem nasce sem sentir dor não vive muito. O problema começa quando o alarme continua tocando depois que o perigo passou, ou quando passa a disparar por qualquer coisa. Um alarme que toca por tudo não serve para nada. Esse é o terreno da dor crônica: uma dor que deixou de ser apenas sintoma de outra doença e passou a ser, ela mesma, o problema a ser tratado.
Por que a dor persiste depois que a lesão já cicatrizou
O nervo é como um fio, e quem lê o sinal que chega por ele é o cérebro. Quando a dor se repete por muito tempo, o sistema aprende: os sensores ficam mais sensíveis, o volume do sinal sobe e áreas ligadas a atenção, emoção e memória entram no circuito. Isso tem nome — sensibilização — e explica por que alguém pode sentir dor intensa com exame de imagem quase normal. Não é invenção nem fraqueza. É neurofisiologia. E entra num ciclo vicioso: dói, você se mexe menos, dorme pior, fica hipervigilante, e o alarme sobe mais um pouco.
Dor não aparece em exame
Não existe ressonância, tomografia ou exame de sangue que meça dor. Exame mostra estrutura; dor é experiência. Por isso eu trato a pessoa, não trato o laudo. Na prática isso muda a consulta: interessa como a dor começou, o que piora, o que melhora, como anda seu sono, o que você deixou de fazer com medo de doer e o que já foi tentado antes. Pedir mais exames raramente é o que está faltando. Entender a história costuma valer mais.
Duas frases das quais eu discordo
A primeira é "aprenda a conviver com a dor". Isso não é plano de tratamento, é uma desistência apresentada como conselho. A segunda é "dor é normal na sua idade". Degeneração da coluna é igual ruga e cabelo branco: todo mundo tem ou vai ter com o tempo. Mas sentir dor nunca é normal, nem aos 95 anos. Idade não é limite para investigar e tratar — é apenas mais uma variável na decisão.
Quadros de dor que eu trato
- Dor lombar e dor cervical persistentes
- Dor facetária e dor sacroilíaca
- Dor neuropática, com queimação, choque ou formigamento
- Dor associada a polineuropatia — aqui eu trato a dor; a doença de base continua sendo acompanhada pelo neurologista
- Dor em pessoas com câncer e dor após cirurgia da coluna
Como o plano de tratamento é montado
Não existe tratamento único para dor crônica, porque ela é multifatorial por definição. O plano se monta em degraus, do menos invasivo para o mais invasivo, e cada degrau tem prazo para reavaliação. Procedimento é um degrau, não o destino.
- Educação em dor — se você entender bem o seu problema, metade do tratamento já está encaminhada
- Tratamento medicamentoso, com alvo claro e sem fórmulas manipuladas
- Bloqueios guiados por ultrassom e radiofrequência
- Neuromodulação em casos selecionados
- Cuidado multidisciplinar, com sono e exercício tratados como parte central — e não como conselho de rodapé
Tirar a dor é relativamente fácil. Difícil é fazer o efeito do tratamento durar se você não fizer a sua parte. Por isso eu insisto tanto que o paciente se responsabilize pelo próprio tratamento: sem isso, todo ganho é temporário.
Formação em dor
Sou professor da Pós-Graduação de Clínica em Dor da Afya e doutorando em Neurociências na PUCRS. Membro titular da IASP (Associação Internacional para o Estudo da Dor) e da INS. CRM-GO 31728 / RQE 17078.
Veja também
- Dor Lombar doenças
- Dor Neuropática doenças
- Dor Facetária doenças
- Dor Após Cirurgia da Coluna doenças
- Educação em Dor tratamentos
- Radiofrequência tratamentos
- Neuromodulação tratamentos
- Cuidado Multidisciplinar tratamentos
Sua dor tem causa — e tem tratamento
Avaliação especializada em coluna e dor crônica, com técnicas minimamente invasivas. Atendimento em Goiânia, presencial ou por teleconsulta.