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Dor Associada a Polineuropatia

Em resumo
  • Aqui o foco é a dor; a doença de base segue com o neurologista clínico.
  • Queimação, formigamento e choques nos pés são queixas comuns.
  • O objetivo é reduzir a dor, devolver o sono e o movimento.

Começo esta página deixando o recorte claro, porque ele é meu e é proposital: eu trato a dor associada à polineuropatia.

A polineuropatia como doença, ou seja, descobrir a causa, pedir eletroneuromiografia, investigar causas sistêmicas e conduzir o tratamento da doença de base, é território do neurologista clínico, e é com ele que esse lado deve seguir.

O que traz o paciente até mim é outra coisa: a queimação nos pés que não deixa dormir, o choque que sobe pela panturrilha, a dor que não cede com analgésico nenhum.

Por que a polineuropatia dói

O nervo é como se fosse um fio, e a polineuropatia é um problema difuso nesse conjunto de fios, geralmente começando pelos mais longos, que são os que chegam aos pés.

Quando o fio adoece, ele perde a capacidade de transmitir direito e ganha a capacidade de disparar sozinho. É por isso que o mesmo paciente descreve, ao mesmo tempo, dormência e dor.

Parece contraditório, mas não é: a região ficou menos sensível ao toque comum e mais sensível a estímulos que antes não incomodavam.

Como o paciente descreve

A distribuição simétrica e que começa de baixo para cima é uma das coisas que mais ajudam a separar esse quadro de uma dor neuropática de raiz única, como a de uma compressão lombar, que costuma ser de um lado só e seguir um trajeto definido.

O que costuma ser confundido com isso

Muita gente chega com o diagnóstico trocado nos dois sentidos.

Uma estenose de canal lombar pode produzir queimação e dormência nas duas pernas e ser interpretada como polineuropatia, e uma polineuropatia pode ser atribuída à coluna porque a ressonância mostrou algum desgaste.

Dr. Normando Guedes
"Degeneração da coluna é como ruga e cabelo branco: quase todo mundo tem depois de certa idade."Dr. Normando Guedes, neurocirurgião

Degeneração da coluna é como ruga e cabelo branco: quase todo mundo tem depois de certa idade. A existência do achado não prova que ele seja a causa da dor.

Problemas circulatórios e queixas do pé também entram nessa confusão e merecem avaliação com o especialista certo.

O que eu avalio na consulta

Meu exame é focado em caracterizar a dor e o quanto ela incapacita: qual o padrão, onde estão as áreas de sensibilidade alterada, se existe alodinia, como está o sono, o que já foi tentado, em que dose e por quanto tempo.

Também verifico se há uma segunda causa somada, porque é comum a pessoa ter polineuropatia e, junto, uma dor de coluna que responde a outro tratamento.

Se durante essa avaliação aparecerem sinais que sugiram uma causa ainda não investigada, ou piora progressiva de força, eu encaminho ou devolvo ao neurologista. Isso não é passar o problema adiante, é cuidar dentro do escopo certo.

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O que funciona para a dor

O tratamento medicamentoso da dor neuropática é o alicerce, com medicações que reduzem a excitabilidade do nervo e reforçam o controle interno da dor.

Elas exigem ajuste gradual, paciência e revisão, e trocar de remédio a cada duas semanas raramente dá certo.

Em torno disso entram sono, atividade física dentro do que os pés permitem, cuidado com a pele e com o equilíbrio, e trabalho conjunto com fisioterapia. O cuidado multidisciplinar aqui é regra, não exceção.

Quando procedimento entra

Quando a dor permanece intensa e incapacitante apesar de um tratamento clínico bem conduzido, e não apenas mal tentado, a neuromodulação é uma das alternativas que discuto com o paciente, sempre explicando o que se pode e o que não se pode esperar.

Prometer o fim da dor seria desonesto. O objetivo realista é reduzir intensidade, devolver sono e permitir que a pessoa volte a se mover.

Consultório do Dr. Normando Guedes
Consultório no Setor Bueno, em Goiânia.

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